Furacões: e agora?

No final de semana de 8 a 10 de setembro, dois furacões, Irma e Jose, estavam em direção ao estado norte americano da Florida, depois de passar por Porto Rico, as ilhas do Caribe, Bahamas e Cuba, chegando em terra com categoria 4 na parte mais sul de Miami, em Florida Keys. Na terça-feira, dia 12 de setembro, o furacão se transformou em uma tempestade tropical e atingiu os estados de Georgia e do Alabama. Jose desviou do Caribe e está perdendo a força e Katia, um terceiro furacão que estava logo atrás, se tornou uma depressão tropical.

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Furacão Katia, Irma e Jose, da esquerda para a direita respectivamente.

 

Milhões de pessoas ficaram sem energia e mais de 60 morreram em decorrência de Irma. Os Estados Unidos já haviam presenciado a visita de outro furacão no dia 25 de agosto, o Harvey, que chegou na região de Houston no Texas, deixando pelo menos 70 mortos, milhares de pessoas desalojadas e um prejuízo que pode ultrapassar 180 bilhões de dólares.

O furacão Irma apavorou milhares de pessoas e as deixou em alerta extremo. Na Flórida, as autoridades se moveram para salvar diversas pessoas de áreas de risco e toda a população se prontificou a ajudar. Muitas áreas foram evacuadas, principalmente em Florida Keys. O governo liberou 100% dos pedágios; foi proibido o aumento de preços de qualquer mercadoria; supermercados e restaurantes fizeram diversas promoções para ajudar as pessoas; as vias, mesmo com milhares de automóveis para sair do estado, andavam com fluidez e as leis de trânsito fora respeitadas; foram disponibilizados centros de abrigo com alimentação e lugar para dormir para todos, inclusive animais; entre outros que deram uma aula de cidadania pelo modo que agiram perante ao desastre natural.

O que chama muita atenção é o modo como, de início, algumas empresas aéreas reagiram com a necessidade de evacuação de zonas de risco. Uma passageira, Leigh Dow, que procurava passagens para Phoenix no dia 6 de setembro, na quarta-feira antes da data prevista para a chegada do furacão, encontrou um aumento de preço absurdo das passagens aéreas da Delta Airlines, em que uma passagem que estava por $547,50 passou para $3258,50. A companhia entrou em contato com a usuária do twitter em que o post repercutiu e esclareceu um erro no site Expedia, um site de viagens de venda de passagens aéreas. O Expedia então se pronunciou e disse que não haviam aumentado o preço. Outros casos também ocorreram com diferentes companhias aéreas, como American Airlines, United e Jet Blue, por exemplo. Várias delas disseram que os algoritmos do site são configurados para, quando ocorrer uma alta demanda de passagens, os preços automaticamente aumentarem, mas isso se aplica ao caso de shows ou eventos e não a um desastre natural. Depois de toda a comoção nas redes sociais, as companhias aéreas se moveram para diminuir os preços das passagens, aumentar o número de voos do sul da Florida para outros estados e até aceitar todo o tipo de animal doméstico em suas aeronaves.

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Imagem do twitter de Leigh (@leighdow)

O que é importante avaliarmos é: sendo ou não lei federal abaixar os preços de passagens aéreas em caso de desastres naturais, não seria ético? Nessas horas de desespero nacional, sendo uma companhia aérea, que está consciente do modo que funciona o seu sistema de preços, não seria a coisa mais justa a se fazer mudar isso logo de cara para salvar o maior número de pessoas possível?

 Ao falarmos em ética, podemos entrar em outros assuntos também muito importantes de serem discutidos em relação a decisões a serem tomadas em decorrer da luta pelo meio ambiente. Vejamos a discussão sobre o aquecimento global após às recentes manifestações climáticas. No começo deste ano, o presidente norte americano Donald Trump tirara os Estados Unidos do Acordo de Paris, o que implica medidas preocupantes em relação ao meio ambiente. Trump disse que o acordo não beneficiava o seu país suficientemente e que estava aberto a novas negociações. O Acordo de Paris visa diminuir, de cada um dos países membros, a quantidade de gás emitida e que devem trabalhar para que o aquecimento fique bem abaixo de 2ºC, buscando limitá-lo a 1,5ºC e países ricos devem ajudar os países pobres com 100 bilhões de dólares por ano. Com a saída da maior potência mundial do tratado, todos os 194 países são radicalmente afetados. Seria ético a sua decisão de olhar apenas para o seu país e esquecer o resto do mundo a sua volta e colocar a sua moral acima de todos?

 Outro fato muito preocupante é como o presidente estadunidense parece não acreditar que as ações humanas possam intensificar o aquecimento global. É importante entender que o aquecimento global não foi a causa dos furacões, mas o aumento da temperatura dos oceanos faz com que os furacões se formem muito mais rápido, com muito mais intensidade e sejam maiores.

 Agora, a pergunta que fica no ar: Estaria a mãe natureza dando um alerta em todos nós?  Ou estaria ela nos castigando?

 

 

Por: Vic Baccarelli

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