Yes, I’m still lying to you

POR: JÚLIA DE CAROLI VIZIOLI – 41523093

         A Internet possibilitou um fluxo maior de informação, principalmente em lugares mais afastados e de menos acesso. Hoje, é fácil pesquisar algo sobre acontecimentos do outro lado do mundo mesmo que tenham acontecido há décadas. E, acima de tudo isso, todos podem ser produtores de conteúdo. Mas, há o lado positivo e o negativo dessa liberdade de produção de informação por todos que devem ser levados em consideração.

         Em um dos lados da moeda, é importante que todos tenham liberdade para se expressar online, da mesma forma que se expressam off-line, mas também é preciso pensar em até que ponto o que postam é real e o que são fake news. É importante que haja a figura de um editor chefe (gatekeeper)? Ou as pessoas devem ter em suas consciências de que nem tudo que está na Internet é verdade absoluta e deve ser acreditado piamente? Há fontes que realmente são confiáveis? Ou tudo tem que ser verificado, sem exceções?

         Para responder a essas perguntas, trouxe dois casos recentes de situações que a Internet (mais especificamente o Instagram) proporcionou para nós. O primeiro deles vinha acontecendo desde 2014. A identidade de um jovem surfista inglês foi roubada por um brasileiro que se dizia ser fotógrafo de guerra da ONU. Max Hepworth, o surfista, era conhecido como Eduardo Martins, o fotógrafo, tinha 32 anos, morava nos lugares mais perigosos do mundo e via de perto o sofrimento que a guerra trás, eternizando tudo em suas fotografias emocionantes. Humanitário, voluntário e de boa índole, o jovem que havia superado a leucemia aos 18 anos, passava informações e fotografias para sites, jornais e revistas como BBC, BBC Brasil, The Wall Street Journal entre outros, de forma gratuita e era amigo de vários outros fotógrafos pela Internet. Sua fama aconteceu rapidamente. Em questão de dois anos ele já possuía uma legião de mais de 120 mil seguidores no Instagram que buscavam se emocionar com seus clicks na hora certa, no lugar certo. Assim, artigos sobre o fotógrafo brasileiro foram sendo feitos até que um deles (da BBC Brasil) chegou a um amigo de Max, editor de um site na Inglaterra. Levou 3 anos para que o surfista inglês descobrisse que sua identidade havia sido roubada. Ele agora estampava um Instagram cheio de montagens dele no Iraque, na Líbia, na Síria, surfando com paquistaneses, almoçando com curdos. As fotos eram de outros fotógrafos que realmente trabalham na região e seu rosto pertencia a Max. Ele fazia montagens, fazendo com que “Eduardo” estivesse em algumas das fotos, como se tirassem fotos dele lá. Ninguém sabe quem foi o criador de Eduardo Martins e também não tem como a pessoa ser descoberta agora, já que todas as fotos, o número do whatsapp e a conta do Instagram foram deletados. O que sobrou foi um e-mail que ninguém responde.

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Instagram de Max Hepworth

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Instagram de Eduardo Martins

         O segundo caso aconteceu na França. O Instagram de Louise Delage retrata sua vida em Paris. Com 25 anos, a jovem frequentava festas e viajava sempre que podia para lugares lindos. Em dois meses conseguiu mais de 50 mil seguidores em sua conta e no final do mês de setembro de 2016, um vídeo foi postado pelo seu IG. A bela Louise era alcoólatra. Em todas as suas fotos ela segurava uma taça ou um copo com alguma bebida alcoólica e ninguém percebeu ou comentou sobre, mas todos amaram, curtiram e compartilharam. Na verdade, Louise fazia parte da campanha “Like My Addiction” (dê um like no meu vício) da organização Addict AIDE procurava mostrar que hoje em dia os jovens bebem cada vez mais e mais cedo e de como os entes queridos não percebem esse vício até que ele atinja um grau mais avançado.

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Instagram de Louise Delage

         Ou seja, as fotos que você vê na Internet do fotógrafo bonitão da ONU são reais? Aquele Instagram de uma socialite chique francesa representa sua vida de fato? O que ambos esses casos têm em comum são as capacidades de parecerem verdade, mesmo não necessariamente sendo, ou seja, são considerados truthiness. No momento que aquela informação se parece com algo real, ela é tida como verdadeira e não há uma busca do internauta de confirmar essa veracidade. É possível que haja um fotógrafo brasileiro nos fronts retratando a vida das pessoas na África e no Oriente Médio? Sim. Parece real uma moça bonita se divertindo e vivendo sua vida em Paris? Sim. E se parece algo verídico, pode ser tomado como.

         Assim, voltamos às perguntas feitas no início do artigo: é importante que haja a figura de um gatekeeper? Ou as pessoas devem ter em suas consciências de que nem tudo que está na Internet é verdade absoluta? Há fontes confiáveis? Ou tudo tem que ser verificado? É um assunto delicado, pois pode levar a extremos.  Se for colocado de fato um gatekeeper, a liberdade de produção de conteúdo cai drasticamente, pois tudo que se é falado, precisa ser verificado, e isso pode levar a uma censura do meio. Porém, casos como esses não existiriam e os usuários não seriam “enganados”. Esse problema não tem uma solução única. É importante que o que for acreditado seja previamente verificado e intitulado verdadeiro ou falso e que se busquem fontes confiáveis. O usuário da Internet deve conhecer o básico da media literacy, ou seja, deve ser alfabetizado nos meios de comunicação. Conhecer o meio digital que está lidando e seu funcionamento é essencial para a análise de conteúdo que recebe e, muitas vezes, a navegação acaba sendo até mais segura. Mesmo assim, casos como os estudados aqui podem acontecer, por isso, é bom estar sempre atento. Mas, não deixe que esse comportamento te deixe cético quando estiver online. Hoje em dia, a Internet é um dos maiores meios de obter conhecimento, se não o maior deles, e duvidar de 100% do que se é aprendido nela é bobagem. É preciso que haja um equilíbrio.

         Conclui-se que, para ser um bom usuário da Internet, é preciso seguir certos comportamentos e ter certas seguranças. Além disso, ter uma postura ética é importante na rede. É importante saber que se vive em sociedade e que a mídia tem grande influência e que uma informação errada passada adianta vai gerar desinformação. E, além disso, se você for um influenciador, como Eduardo e Louise, é essencial ter ética, pois são eles quem formam o tecido ético da sociedade e dão credibilidade para o meio em que estão inseridos.

 

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