Furo no armário

Pedro Leite Knoth – 41611537

A olimpíada Rio 2016 foi de maior participação LGBT da história. Foram 43 atletas assumidamente homossexuais, bissexuais e transexuais, o maior número de todos os tempos que participaram das mais diversas modalidades olímpicas. Uma cena que tornou-se famosa ao redor do mundo foi o pedido de casamento entre a voluntária Marjorie Enya para sua namorada, a jogadora de rugby da seleção brasileira Isadora Cerullo.

A primeira judoca brasileira medalhista de ouro é lésbica. Cinco dos ciclistas que abriram alas para suas delegações, na noite de abertura, eram transsexuais. A modelo trans Lea T foi quem abriu caminho aos atletas brasileiros.

A visibilidade LGBT é ótima, especialmente a de atletas.Ter ídolos que superaram além das barreiras esportivas desafios para ascensão na sociedade preconceituosa é necessário. Prova que um transexual pode saltar, jogar futebol e correr 100 metros tão bem quanto o próximo; prova que nós, seres humanos, temos as mesmas capacidades sendo diferentes.

Porém, uma divulgação não autorizada e não ética marcou a segunda semana do evento. Nico Hines, jornalista britânico do The Daily Beast, um jornal nova-iorquino, utilizando perfis falsos em sites como o Tinder e o Grindr, marcou encontros falsos com atletas homossexuais. Publicou seus nomes em uma lista detalhada que também expunha dados como o país de origem do atleta e a modalidade que praticava.

O post do jornalista no site do veículo saiu de ar apenas três horas posteriormente a sua publicação. O Daily Beast retratou-se pelo ocorrido e pediu desculpas pelos “atletas envolvidos”. Todavia, era tarde de mais para o portal de notícias, que foi rechaçado por múltiplos veículos de imprensa, como o NY Times e o The Guardian.

Como pode um jornalista divulgar informações não autorizadas que ferem os direitos de imagem; injúria, utilizando o termo de direito constitucional, de diversos atletas? Alguns deles sem nem a possibilidade de retornar a seus países de origem graças ao vazamento, pois ser homossexual ainda é crime (e socialmente inaceitável) em, por exemplo Tonga, na Oceânia. O nadador polinésio Amini Fonua, nativo de Tonga, escreveu em seu Twitter : “Um jornalista desses não merece ser chamado de jornalista. Gostaria que ele recebesse mil processos, mas eu tenho certeza absoluta que nada vai acontecer com ele, só vai ficar mais famoso”. Este é um caso de invasão de privacidade e vazamento de informação tão alheia quanto prejudicial.”lgbt-olimpiadas

 

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