Ética, (pós)modernidade e consciência política

Lucas Antunes Ribeiro – 41423331
ima-11

2 de outubro de 2016

Uma data importante para o povo brasileiro. Em todos munícipios do país, serão eleitos pessoas cuja responsabilidade é a de garantir o bem-estar geral da população, tal como assegurar os direitos individuais e coletivos de cada cidadão. Sob contexto de uma (pós)modernidade fragilizada pela perda das referências e dos modelos identificatórios ligados a tradição, vê-se também comprometida a relação do indivíduo com o saber. O conhecimento tanto no âmbito do consumo como da reprodução sofre com este novo paradigma, as técnicas tradicionais passam por um processo de desvalorização dando lugar aquelas mais rápidas, instantâneas e imediatas, isto é, o ritmo ditado pelas novas tecnologias da comunicação e do transporte estão distanciando cada vez mais o indivíduo do conhecimento profundo e reflexivo. Estudar neste sistema capitalista “hiper-acelerado” tornou-se um desafio, uma real tarefa árdua que demanda esforços que vão de encontro ao próprio andamento moderno.

 

Consolidado sobre esta grande estrutura social e psicológica encontra-se em crise a relação do homem com a representatividade política. Em meio a uma democracia representativa presidencialista, como é o caso do Brasil, cada cidadão tem o dever de atuar diretamente na escolha dos candidatos às vagas de deputado (federal e estadual), senador, vereador, prefeito, governador e presidente, sendo capaz de avaliar e julgar as propostas de construção de uma nação melhor para todos. Desta forma torna-se um dever ético o de conscientizar-se na escolha de tais candidatos e exercer o voto no dia da votação. Vemos no país, no entanto, um déficit de engajamento político, compreensível quando o analisamos sobre a perspectiva da (pós)modernidade, alinhado ao empobrecimento do discurso, conduzindo a um estado polarizado das opiniões e de segregação dos indivíduos. O que deveria permanecer no âmbito ético acaba infringindo o campo moral, criando situações como o rechaço público vivido pela atriz Letícia Sabatella em Curitiba ou do ator José de Abreu, atacado em um restaurante por alguém que descordava de seus posicionamentos políticos. Ambos os casos revelam algumas falácias presentes num regime democrático tal como os buracos da ética em uma sociedade sem grandes líderes.

 

Passado esta breve introdução, quero colocar em discussão um comportamento que vê-se presente em época de eleição: os ataques às urnas eletrônicas. Uma prática comum que, neste domingo (2 de outubro), se repetiu na cidade de São Luís do Maranhão. Dado esta situação me interessa apresentar dúvidas e não certezas sobre o comportamento moderno, seguem algumas delas.

Seria este um ato de rebeldia contra um sistema político ineficiente? Uma deficiência moral daqueles que praticaram? Ou apenas a infantilidade de uma minoria? Partindo do principio que parte daqueles que provocaram tais atos o fizeram por instinto político, até que ponto um ato político pode ferir a ética de uma sociedade tendo como justificativa seus ideais? Seria a moral, em tempos esvaziados pela falta de referencias, um conceito flexível até demais?

Com a queda dos ensinamentos mágicos de cunho religioso e a ascensão da racionalidade e dos conhecimentos científicos, a humanidade pôde evoluir, e muito, suas capacidades políticas, sociológicas e psicológicas. Porém o vazio deixado para trás com esta queda andaria em paralelo com uma série de deficiências morais, que por sua vez, modificam a ética de uma sociedade? Teria a política e a ideologia ocupado o lugar das religiões neste esvaziamento moderno? As grandes empresas de comunicação de massa, por andar em paralelo a opiniões politizadas, estariam atuando como grandes pregadores, substituindo os antigos sacerdotes?

É possível traçarmos uma análise da polarização das opiniões avaliando a massificação dos discursos ultraliberais em oposição aos ultraconservadores. A política moderna parece passar por um processo de “mistificação” em que as ideias e ideais não representam mais a racionalidade do discurso mas um total mergulho nas trevas da ignorância. Sob este contexto vimos cada vez mais as feridas da ética se abrindo e sendo preenchidas com violência e repúdio. Estaríamos tão desamparados a ponto de nos abdicamos dos avanços em uma busca retrógada pela segurança do autoritarismo?

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

w

Connecting to %s