O jeitinho brasileiro

ALINE NAKAHARA – 41424151

Podemos ver que hoje em dia se tem uma apagão ético e moral na sociedade brasileira, não é apenas a falta de leis no país. A moralidade se caracteriza com um conjunto de valores internos, no qual dessa maneira o individuo escolhe seus valores, seu livre arbítrio. É uma opção dele ser ético ou anti-ético em determinada sociedade. Assim, podemos dizer que não existe uma pessoa sem valores, ela sabe o que esta certo ou errado, porém em alguns casos a sociedade tolera. Como por exemplo o “jeitinho brasileiro” que são imorais e são “aceitos” na sociedade.

Não importa onde isso aconteça, Brasil, Japão, Estados Unidos, a maioria dos brasileiros sempre vão usar o “jeitinho brasileiro” para tirar vantagens de algumas situações. Somos conhecidos pelo mundo por “dar aquele jeitinho para tudo”, usando a malemolência e a malandragem. Andar no acostamento, furar filas, falsificação de documentos, sonegação de impostos, pirataria, são atos que convivemos no nosso dia a dia. Essas ações são tão praticadas que se tornaram comuns para os brasileiros. Porém, as pessoas não querem se ver como alguém desonesto, mas ao mesmo tempo querem se beneficiar. O que fazem que “trapaceiem” apenas um pouco, o suficiente para se dar bem, mas menos do que os deixariam desconfortável. Desta forma o “jeitinho” pode ser entendido como uma ação de obter beneficio próprio ou resolver problemas, de formas imorais.

Isso foi retratado até mesmo nos cinemas nos anos de 1940, quando o Brasil ganhou representatividade internacional com o personagem “Zé Carioca”. O mais conhecido papagaio brasileiro com seu jeito típico de malandro, no qual encontrava solução para tudo!

O historiador Sérgio Buarque de Holanda, em “Raízes do Brasil”, dizia muito sobre o brasileiro e suas caraterísticas por ser um homem cordial. Como alguém que age movido pela emoção no lugar da razão, colocando de lado a ética e a civilidade. Podemos ver a relação de certa forma do conceito de homem cordial no seguinte trecho do seu livro com o “jeitinho brasileiro”:

“Já se disse, numa expressão feliz, que a contribuição brasileira para a civilização será de cordialidade — daremos ao mundo o “homem cordial” .6 A lhaneza no trato, a hospitalidade, a generosidade, virtudes tão gabadas por estrangeiros que nos visitam, representam, com efeito, um traço definido do caráter brasileiro, na medida, ao menos, em que permanece ativa e fecunda a influência ancestral dos padrões de convívio humano, informados no meio rural e patriarcal.” (HOLANDA. Raízes do Brasil. P 146 e 147).

E por fim, podemos ilustrar “o jeitinho brasileiro” no musical a seguir do programa da Globo “Ta no Ar”. Mas antes, fica uma questão para todos: Todo mundo reclama da política, principalmente por causa da corrupção, mas será que você nunca utilizou na vida o “jeitinho brasileiro” para tirar vantagem de algo? Poderíamos usar esse “jeitinho” como uma porta de entrada para a corrupção? E se um pode, os outros também podem?

VIDEO no site da globo: http://gshow.globo.com/series/ta-no-ar-a-tv-na-tv/2016/episodio/2016/01/19/ta-no-ar-estreia-e-faz-clipe-ironizando-o-jeitinho-brasileiro.html#video-4749672

 

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O Curioso Caso do Domínio Público Americano

Michel Lichand Mendonça

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p’ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

As quatro frases acima foram retiradas de um poema de Fernando Pessoa. Elas não teriam nada a ver com este post se não fosse aquele pequeno conceito que me permite copiar este trecho e usá-lo aqui sem problemas: o domínio público. Basicamente, o domínio público define aqueles trabalhos cujas propriedades intelectuais já se extinguiram. Eu poderia, por exemplo, publicar os poemas de Fernando Pessoa, ou fazer um livro de paródias, ou usá-los em um filme, tudo sem ter que pagar um tostão. Claro, não poderia falar que foi eu quem escrevi eles, mas nenhum centavo sairia do meu bolso, o que definitivamente aconteceria se eu quisesse copiar um trecho de Star Wars, por exemplo.

Algumas obras no domínio público incluem as peças de Shakespeare, as composições de Beethoven, Ulysses de James Joyce, dentre muitos outros. Seguindo esta lógica, qualquer pessoa pensaria “puxa, então coisas velhas estão no domínio público, certo?” Tecnicamente, sim. Mas, infelizmente, a vida não segue a técnica. Se você quisesse, por exemplo, exibir o filme Em Busca de Ouro, de 1925, um clássico de Charles Chaplin, um dos mais amados comediantes do planeta, considerado patrimônio da humanidade, você provavelmente receberia um magnifico ‘cessar e desistir’, apesar do fato que Chaplin perdeu a habilidade de receber dinheiro de seu filme há uns quarenta anos atrás, quando ele, sabe… morreu.

E Chaplin não é o único. Milhares de filmes, livros, produções para a TV, canções e várias outras obras estão fora das mãos do público, apesar de seus criadores já terem morrido fazem décadas. Se a atual lei de propriedade intelectual dos Estados Unidos fosse a mesma que ela era no século vinte, nós teríamos o direito de copiar, vender e remixar clássicos de Alfred Hitchcock, episódios de Além da Imaginação e canções de Frank Sinatra. No entanto, as já-mencionadas leis foram alteradas várias vezes, estendendo o poder da propriedade intelectual, e empurrando essas criações para mais longe do domínio público. E quem é o responsável por isso?

Fonte: playbuzz.com

Fonte: playbuzz.com

Sim, o amado Mickey Mouse é provavelmente o maior culpado pelo enxugamento e pela erosão do domínio público americano. Nos últimos anos, toda vez que o primeiro desenho animado do Mickey se aproximava do fim do prazo da propriedade intelectual, um batalhão de advogados da Walt Disney Company entrava em ação para que a lei fosse estendida. Afinal, você consegue imaginar o que aconteceria se todo mundo pudesse usar a imagem de Mickey Mouse sem pagar um dólar para a Disney?

Isso pode não parecer um grande problema para muitas pessoas. Mas o domínio público é uma ferramenta essencial não só para o desenvolvimento do conhecimento coletivo da humanidade, mas também do aumento do acesso à informação e da preservação da nossa produção coletiva. Imagine, por exemplo, que amanhã, o mundo acaba. Pânico geral. Matança nas ruas. Prédios em fogos. Daqui a uns anos, a sociedade tenta se repor. O que seria mais fácil para eles acharem: uma cópia de Hamlet, um livro que qualquer pessoa pode baixar, vender, ter ou emprestar sem problemas, ou uma cópia de um livro escrito por um autor obscuro há trinta anos atrás que já parou de ser vendido nas livrarias?

Pronto. Um livro inteiro já desapareceu. Agora imagine o quão difícil é para uma biblioteca obter uma cópia legal de um livro, um filme, ou até um game. Sim, pense nos games! Afinal, eles são uma forma de arte bem jovem, chegando agora na sua quinta década. E já há histórias de games completamente esquecidos, que nunca foram recuperados porque as empresas donas da propriedade intelectual nunca fizeram nada com eles. Uma pergunta familiar entre fãs de franquias do passado é “quem tem os direitos para este game? Huh? A Activision? Espero que façam algo com isso”.

Vamos do hipotético para o real. Você conhece o filme It’s a Wonderful Life? Provavelmente já viu um episódio de uma série com uma história similar ao do filme. Isso porque ele é considerado um clássico do cinema do Natal, algo que muitas famílias usam como parte de suas tradições de fim de ano (ceia, árvore, sessão de It’s a Wonderful Life…) Mas nem sempre foi assim.

Inicialmente, o filme não era considerado um clássico, e foi um fracasso financeiro. Só que por volta dos anos 70, o estúdio esqueceu de renovar o copyright, e It’s a Wonderful Life caiu no domínio público. As emissoras televisivas logo pegaram o filme e começaram a passar ele várias vezes durante o Natal, e uma geração inteira de americanos foram re-introduzidos a história, dando a ela o status de “clássico americano”, algo que surpreendeu até o próprio diretor.

Só que depois o sucesso, vem os urubus. Ao ver a incrível audiência que o filme tinha, os donos originais começaram uma longa batalha para recuperar o copyright, dizendo que eles tinham os direitos ao conto em que o filme foi baseado. Pra encurtar a história, It’s a Wonderful Life voltou pras mãos da propriedade intelectual, e agora se o seu canal quer fazer uma maratona natalina do filme, tem que pagar. Se dependesse do estado atual dos direitos autorais, It’s a Wonderful Life nunca conseguiria o título de ‘clássico natalino’.

O cineasta Lloyd Kaufman, famoso por fazer filmes trash, disse em uma entrevista que “se Romeu e Julieta fosse feito hoje, Shakespeare seria processado, porque a história foi totalmente copiada de uma outra história italiana e melhorada- e do nada o mundo iria perder uma de suas maiores histórias de amor”.

Esta é a verdade: os Estados Unidos são responsáveis por grande parte da cultura pop do último século, uma cultura que inspirou e ainda inspira milhões de pessoas pelo mundo inteiro. Quantas pessoas estão sendo privadas de inspiração por essas exageradas leis? Quantas histórias estão sendo perdidas para sempre porque não podem ser preservadas sem autorização dos donos dos direitos?

Se a Disney não fizer nada, o primeiro desenho animado do Mickey Mouse vai entrar no domínio público em 2028. Mas vamos encarar os fatos- eles com certeza vão tentar algo. A questão é… será que eles vão conseguir? Pela primeira vez, o público tem uma ferramenta capaz de ampliar a sua voz como nunca: a internet. Pode ser que as coisas mudem. Ou pode ser que vamos continuar a perder mais e mais Romeus e Julietas.

Os pequenos segredos de Aquarius

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Durante o mês de maio deste ano ocorreu o 69º Festival de Cannes, um dos mais influentes festivais de cinema do mundo. Na mesma época, no Brasil, ocorria o processo de impeachment que resultou no afastamento da presidenta Dilma Rousseff. Aquarius, dirigido pelo renomado crítico brasileiro Kleber Mendonça Filho e protagonizado por Sonia Braga, foi exibido e aclamado em Cannes, levando consigo a quarta colocação da crítica especializada da Palma de Ouro, principal competição do festival.

Kleber, que já havia dirigido Som ao Redor, além de dezenas de curtas-metragens, é um comentador político ativo nas redes sociais e defensor do governo petista vigente na época. O diretor aproveitou a visibilidade da imprensa internacional e, juntamente com a equipe e o elenco do filme, promoveu um protesto no festival francês, levantando placas com dizeres de “Um golpe ocorreu no Brasil”, “Resistiremos”, e “Brasil não é mais uma democracia”. Em resposta, Dilma agradeceu o apoio e exaltou o talento do Brasil em Cannes.

É inegável que Aquarius é um grande filme, considerado pela maioria da crítica – inclusive internacional – o melhor brasileiro do ano, levando 100 mil pessoas aos cinemas apenas em sua semana de estreia. Entretanto, a comissão do Ministério da Cultura escolheu Pequeno Segredo como representante brasileiro no Oscar. O segundo longa-metragem de David Schurmann – que havia dirigido o terror Desaparecidos em 2012, com uma péssima avaliação da crítica – estreou no último dia 22 e contou com apenas 135 ingressos vendidos nos primeiros 4 dias.

Diversos filmes brasileiros como Boi Neon, de Gabriel Mascaro, Mãe Só Há Uma, de Anna Muylaert e Big Jato, de Cláudio Assis retiraram seus filmes da competição pela vaga do Oscar em prol de uma nominação de Aquarius, que se tornou uma espécie de mártir cinematográfico de um grupo que não reconhece o processo de impeachment. O cinema e a política estreitaram seus laços como há décadas não acontecia no Brasil.

Esta seria a segunda chance do pernambucano tentar a vaga. O primeiro filme de Kleber Mendonça Filho, O Som ao Redor, chegou às finais da escolha para o Oscar, ficando entre os 10 últimos em 2014. Entretanto, restam as esperanças de que Sonia Braga seja indicada ao prêmio de Melhor Atriz no Oscar. A atriz já foi indicada 3 vezes ao Globo de Ouro e foi aclamada em Cannes: a brasileira perdeu o troféu para Jaclyn Jose, de Ma’ Rosa, feito considerado a maior injustiça do festival no ano.

Há quem diga que não houve parcialidade na escolha do filme a representar o país no Oscar. Entretanto, não há como negar que Aquarius é um importante filme na conjuntura político-social contemporânea, e que assisti-lo e entende-lo é intrínseco para o entendimento da situação do país, assim como a situação do cinema nacional, cada vez melhor representado por uma nova geração de cineastas que, assim como os finados Glauber Rocha e Eduardo Coutinho, unem engajamento político com eficiência técnica.

por Lucas Veiga Pellegrino, 41423102.

Entre a moral e a ética: sexo na vila olimpíca

Com a chegada das olimpíadas ao Brasil, os atletas que nos representariam começaram a se destacar. Se o anonimato e a falta de reconhecimento sempre foram a regra, a exceção vem acontecendo com aqueles que chamam a atenção por algum atributo além do seu desempenho, geralmente a beleza.

Ingrid Oliveira, atleta dos saltos ornamentais, se tornou musa antes do início dos jogos: ela postou uma foto apontando para o símbolo dos jogos de Toronto, onde suas curvas foram o principal assunto, e sua profissão ignorada.

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Assim como ela, centenas de outros competidores treinam pesado, e se dedicam diariamente a sua modalidade, e não é motivo de surpresa o fato de exibirem corpos sarados e saudáveis, assim como o da saltadora. Durante a competição ela ficou ainda mais conhecida, porque cometeu um grande pecado: transar na vila olímpica.

A grande queixa se deu devido ao fato de Ingrid usar o apartamento que dividia com outras atletas para se encontrar com seu parceiro. É compreensível que a movimentação estranha em um lugar onde o objetivo é se concentrar cause certo desconforto, porém, quando se hospeda em um mesmo local jovens do mundo inteiro, em sua melhor forma, com todo o entusiasmo de estar competindo e representando seu país, é de se esperar que o clima seja de entrosamento, e de sexo também.

Há algum tempo não é segredo que os atletas mantem relações sexuais durante o período de jogos, e até hoje, em todas as olimpíadas, nos deixam sem ar com suas performances que desafiam os limites do corpo humano.

Não somos obrigados a concordar com tudo oque a sociedade em que estamos inseridos faz, por isso cada um de nós tem sua moral, que corresponde a seus valores particulares e caminham junto com sua consciência. Entretanto, somos obrigados a conviver com os valores que aquela sociedade tem naquele determinado momento, ou seja: sexo vila olímpica era algo normal.

Aparentemente para sua parceira de salto foi um grande erro. Giovanna Pedroso fez sua queixa sobre o acontecido ao comitê olímpico brasileiro, que considerou tirar Ingrid dos jogos. Apesar de ter sido apenas uma hipótese, os dirigentes se esqueceram que para manter relações sexuais é necessário mais de uma pessoa, no caso, outro atleta brasileiro, Pedro Henrique Gonçalves da Silva, que além de sair vitorioso, não teve sua participação ameaçada em momento algum.

Toda história tem mais de uma versão, e não cabe a nós julgar os envolvidos, porém, diante de uma situação como essa é necessário analisar oque é plausível em um ambiente desses. Culpar uma mulher por um ato que é mundialmente praticado e natural, é retrógrado. Dar mais valor ao corpo dela do que sua capacidade é superficialidade e machismo, e tornar sua vida sexual o assunto do momento, em um período com tantos acontecimentos relevantes é banalizar a função dos veículos de comunicação.

YouTube, Direitos Autorais e Taylor Swift

Por Catarina Pisati Pera – 41422637

FAAP – 2016/2

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Taylor Swift x Spotify já virou passado. Agora é Taylor x YouTube

No último mês de Junho, a cantora Taylor Swift e outros 179 artistas incluindo Paul McCartney, U2, Kings of Leon e as grandes gravadoras Universal e Sony, assinaram uma carta aberta ao congresso norte-americano pedindo a reforma da lei de Direitos Autorais de conteúdos online, a D.M.C.A (Digital Millenium Copyright Act), que, além de criminalizar a infração dos direitos, também proíbe a produção e a distribuição que venham ameaçar os direitos morais e patrimoniais do autor.

O momento para pedir essa reforma não podia ser o mais propício, já que atualmente, o governo americano busca reformular a D.M.C.A. Sancionada em 1998 no governo Clinton, a lei possui certos “buracos”, sendo o maior deles o YouTube. O site de maior compartilhamento de vídeos do mundo dá direito aos seus usuários de postarem conteúdos protegidos de Direitos Autorais, e assim deixa-os infringir a lei sem que haja qualquer consequência para a plataforma. O YouTube somente tira o conteúdo infringido se o detentor dos direitos pedir. Segundo a CEO da Recording Industry Association of America, Cary Sherman, o YouTube sempre se beneficiará, porque sempre terá o conteúdo do artista em seu site, independente dos direitos patrimoniais do autor, ou seja, se este decidir licenciar ou não suas obras para a plataforma. “A negociação é feita mais ou menos assim, o YouTube diz: ‘Olha, isso é tudo que podemos pagar. Se você não quiser nos dar a licença, tudo bem, mas sua música vai acabar no serviço de qualquer forma, então nos avise que nós tiramos ela de lá o mais rápido possível. Mas sabemos que ela vai continuar aparecendo por ali. Faremos o que der. É sua decisão se quer fechar um acordo ou se prefere gastar dinheiro enviando avisos para tirar a música do ar.” Para a Universal e a Sony, o YouTube tem uma “vantagem desleal que nem serviços como Spotify têm”, pois as infrações só prejudicam os artistas, que acabam por não ganhar nada. Em nota oficial, o Google, empresa detentora do YouTube, disse que “qualquer acusação de que a D.M.C.A beneficia o YouTube é falsa”.

Já os serviços de streaming, Spotify, Tidal, Apple Music, Deezer, etc, disponibilizam conteúdo online sem que o usuário tenha que fazer o download. No Spotify, o usuário paga R$ 14,90 por mês, e o artista ganha em torno de R$ 0,021 a R$ 0,0294 cada vez que alguém põe sua música para tocar. Em 2014, quando lançava seu álbum novo, a cantora Taylor Swift tirou todas as suas músicas da plataforma de streaming, alegando que a mesma e empresas semelhantes não valorizam o artista ao não ceder a eles os devidos royalties e que o número de álbuns vendidos caiu drasticamente por causa dessas empresas. Isso só foi o estopim para que a cantora declarasse guerra contra todos os serviços de streaming, usando como principal arma seus direitos patrimoniais. Swift saiu vitoriosa da luta. A Apple Music acabou cedendo ao pedido da cantora de pagar todos os artistas durante o período que a empresa dá de 3 meses gratuitos para novos usuários, em troca ela disponibilizou suas músicas no streaming.

Sabemos que ainda há muitos capítulos pela frente no conflito entre streamings x direitos autorais. Quanto à Taylor Swift, só nos resta esperar quem será a próxima vítima.

 

 

 

“opinião é como uma parte específica do corpo…”

Felipe A. Lemo

Na era da liquidez, do mundo fluído e das relações vazias, o Brasil vive também, como se tudo isso não bastasse, uma crise política, econômica, mas, principalmente, ética. Interessante porém, essa crise não é nem de longe a mais preocupante. Outras tantas já foram numericamente muito mais expressivas, os 11% de inflação, ao ano, de hoje, parecem pouco expressivos se comparados aos 83%, ao mês (!), durante o último mês do governo Sarney; o desemprego, hoje flutuando entre 14% e 12%, já se viu na casa dos 26%, período em que 1/4 da força de trabalho brasileira estava desempregada, não há uma novidade absoluta na nossa crise atual.

Porém, argumenta-se que, a crise que o Brasil enfrenta nesse ano de 2016, tem uma única novidade: essa crise tem cunho, majoritariamente, moral. Isso não pode ser atribuído única e exclusivamente a uma mídia excludente, que há muito liberou-se da última fagulha de imparcialidade que ainda retinha; ou à ações de uma polícia truculenta que, dia sim, dia não, reaparece nessa mesma mídia com um novo escândalo. Nunca nos vimos em tamanha desesperança e falta de crença no futuro.

O brasileiro, porém, sempre teve um entendimento deturpado do que seria ética e em que momentos ela se aplicaria. É então que, tradicionalmente, levanta-se o famigerado e já extensamente explorado argumento do jeitinho brasileiro. Àquele que nos leva a acelerar no sinal amarelo, sonegar imposto, falsificar carteirinha de estudante e tantos outros.

Acompanha essa discussão o, também, exaustivamente narrado discurso sobre “como podemos exigir que nossos representantes no governo federal e estadual respeitem as leis e diretrizes quando nós mesmo não às respeitamos no decorrer do dia?!”. Ou ainda o argumento que justifica o uso do nosso jeitinho, de maneira a resistir à impostos absurdos, bem como com regras e leis que não concordamos. Afinal, é no Brasil que tudo não funciona, porque se fosse na Europa funcionaria, porque nos museus da gringa não tem fila.

Por que, então, eu devo ficar preso no engarrafamento, enquanto, ao meu lado, outros passam pelo acostamento; por que devo chegar na aula no horário, quando nem o professor se dá ao trabalho de fazer o mesmo, por que ser honesto se os outros não o são?

A ética kantiana nos explica: não importa o que os outros façam, se todos fazem errado, continua errado. Mesmo que todos o façam, não significa que você também pode fazê-lo. Esses opostos não tem base numérica. A decisão constante “de fazer o bem” é atingida neste momento brasileiro de 2016, a elite está absolutamente despreocupada com o que acontece com o coletivo, ela se preocupa com seu futuro, não se importariam de colocar fogo na pátria, se conseguissem manter sua pose e seu posto.

Quem discorre sobre tudo isso é Leandro Karnal, em sua palestra sobre o assunto. Muito mais habilidoso que eu, sua palestra é marcada por momentos engraçados e divertidos. Karnal é, porém, por vezes tido como um diplomata, habilidoso nas discussões, ele sempre encontra uma forma, sensata e coesa, de se manter em cima do muro. É por isso que o admiro. Em tempos de enorme difusão de informação e, sobretudo, opiniões, é sempre bom lembrar que, como diz Karnal aos 18:15min, opinião é como uma parte específica do corpo, pode se dar, é nosso direito, nada nos impede que, sentindo necessidade nos a demos, mas não precisa dar todo dia e tem que perguntar antes.

 

Ouso, ainda, indicar uma leitura do mesmo autor, sobre a movimentação política referente ao Escola Sem Partido:       O historiador como juiz