A IMPORTÂNCIA DAS REDES SOCIAIS NA LUTA CONTRA O SILENCIAMENTO DAS MULHERES

 

É possível notar, com o avanço das redes sociais, um crescimento nos movimentos Feministas, uma vez que a informação circula livremente e de forma mais fácil. Não é de hoje que as mulheres se reúnem clamando por direitos iguais e, na teoria, muitos desses já foram conquistados. Já existem leis que defendem as mulheres e uma delegacia aqui no Brasil dedicada as mesmas, porém a sociedade permanece machista e na prática a legislação não funciona. A justiça é falha quando se trata de proteger as mulheres, o silenciamento em casos de agressão continuam e nenhuma está isenta, como no caso da cantora americana Kesha Rose.

Kesha entrou com um processo pedindo para ser liberada do seu contrato com a Kemosabe Records, que atua sob o guarda-chuva da Sony, alegando que Dr. Luke, dono do selo, a estuprou e a drogou além de praticar abusos físicos e psicológicos. Seu pedido para não ter que trabalhar mais com o homem que a abusou durante anos foi negado. A cantora não pediu pela prisão do mesmo, apenas para que deixasse de trabalhar com ele e esse direito não lhe foi concebido.
A moção de Kesha para a liminar foi negada pela Suprema Corte do Estado de Nova York, que declarou que “não há demonstrações de danos”. “A permissão de gravar foi concedida à ela”, declarou o juiz, em referência ao acordo que a gravadora ofereceu, de que ela poderia gravar sem o comando de Dr. Luke. Ela não aceitou e sua carreira permanece congelada.

A cantora além de ser constantemente questionada sobre o por que de não ter denunciado na época o abuso sofrido também é culpabilizada, uma vez que agora “é tarde demais” para se provar, com alegações de que ela pode estar mentindo e que “só quer fama e atenção”.

O estupro está entre os crimes menos denunciados e Kesha é só mais uma das inúmeras mulheres que não denunciou antes. O ato de denunciar é cercado de medos, receios e humilhações, uma vez que o processo é longo, doloroso e rodeado de sentimentos de culpa, reflexo de uma cultura que culpabiliza a vítima. Quando decidem seguir em frente com qualquer tipo de denuncia as mulheres são desacreditas em todas as etapas, questionadas, culpadas e incentivadas a desistirem, como aconteceu com a cantora. No último Domingo (3) Kesha disse em uma postagem em sua conta do Instagram que a gravadora Sony Music ofereceu sua “liberdade” se ela mentisse e dissesse que não tinha sido estuprada pelo produtor, porém em sua declaração, disse também que prefere que sua carreira termine do que que ela tenha que mentir por “um monstro” de novo.

Vale lembrar que ela se encontra em uma posição social privilegiada, conta com a ajuda de bons advogados e apoio de familiares, amigos e uma legião de fãs que se movimentaram nas redes sociais cobrando um posicionamento da Sony e demonstrando suporte. Mesmo assim a fama e o dinheiro não a isentaram de sofrer com a violência, humilhação e dúvida sobre suas denúncias.

As redes sociais deram visibilidade ao caso, fator importantíssimo, visto o silenciamento constante em casos semelhantes de mulheres ao nosso redor, além de trazerem à tona discussões e reflexões sobre o assunto e incentivar que outras utilizem as plataformas em seu favor, uma vez que a justiça não parece estar. Precisamos parar de fingir que a violência contra a mulher não existe, deixar de repetir frases com cunho machista como “em briga de marido e mulher não se mete a colher” e lutar pelos direitos das mesmas.

Mulheres da indústria se pronunciaram a favor da cantora, como Demi Lovato, Lady Gaga, Taylor Swift, Ariana Grande, Halsey, Kelly Clarkson e Lily Allen além do lançamento de uma hashtag (#FreeKesha) e criação de uma petição online para que Kesha fosse liberada do contrato. A Sony recentemente também se posicionou devido a cobrança do público por explicações, onde em entrevista ao The New York Times, o advogado da Sony, Scott A. Edelman, disse que a empresa “não está em posição para terminar a relação contratual entre Luke e Kesha” e também afirmou que “A Sony está fazendo tudo que pode para apoiar a artistas, mas, nessas circunstâncias, é legalmente incapaz de rescindir o contrato”.

Kesha mantém a sua palavra e incentiva todas as mulheres que já sofreram algum tipo de abuso a denunciarem seus agressores. “Penso nas meninas de hoje. Não quero que minha filha, ou sua filha, ou qualquer pessoa tenha medo de ser punida se falar sobre sofrer abuso, especialmente se o agressor está em uma posição de poder”.

O caso de Kesha Rose não foi o único que obteve apoio popular através das redes sociais. Recentemente, aqui no Brasil, o Facebook foi utilizado para denunciar o assédio sofrido em um bar de São Paulo em um post que viralizou. A universitária Júlia Velo recorreu a plataforma após ter sido negligenciada pela casa Quitandinha e pela polícia.

Os dados mostram que no Brasil, uma mulher é estuprada a cada três horas (número é só dos casos que são denunciados pelo telefone 180). A chance de acontecer com pessoas próximas a nós, é gigante, e infelizmente Kesha não vai ser a ultima vítima. Precisamos mudar a realidade, e para isso nossa postura precisa mudar. É necessário que o agressor seja punido, e não a vítima.

 

BRUNA DOTTO PASQUOTTO 41414634

RTV 2016

 

http://juliapetit.com.br/musica/kesha-perde-processo-contra-dr-luke-e-evidencia-porque-mulheres-nao-denunciam-abuso

http://veja.abril.com.br/noticia/entretenimento/kesha-tudo-o-que-eu-quero-e-fazer-musica-sem-sofrer-abuso

http://vida-estilo.estadao.com.br/blogs/nana-soares/a-falta-de-empatia-com-kesha-mostra-que-denunciar-abuso-nao-e-facil/

http://billboard.com.br/noticias/gravadora-se-pronuncia-sobre-caso-dr-luke-x-kesha/

http://www.brasilpost.com.br/2016/02/05/assedio-no-quitandinha-ba_n_9170996.html

 

 

 

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