Democracia racial como mito universal

Democracia racial como mito universal. Entre tantos mitos contemporâneos a nós, este é o que está mais em voga atualmente. No ano que Martin Luther King vira peça teatral em São Paulo com grande sucesso de público e crítica, em contrapartida, 5 meninos negros são executados sem motivo claro no subúrbio do Rio de Janeiro. Esta disparidade entre os discursos que é a verdadeira face por de trás da máscara da democracia racial, que não passa de uma propaganda vinculada pela mídia para esconder o racismo que existe sim, e esta enraizado na nossa cultura, mal este que não é “luxo” apenas do Brasil.

Crimes contra os negros sempre houve no nosso pais, são tantos que vou me deter apenas aos casos de 2015, pois mesmo se quisesse falar de todos, não conseguiria, pois boa parte deles são omitidos, reprimidos ou silenciados na base da pólvora em toda Grande São Paulo, que foi cenário de chacinas, grupos de extermínio com ligação com a Policia Militar – mesmo não provada legalmente – ou “apenas” execuções resultantes do despreparo da PM.

Não bastando estes problemas, que por si só são gravíssimos, a maior parte da população não (re)conhecem este cenário, parte da culpa é da mídia que não dá a devida atenção para eles, sempre tratando casos assim com eufemismo, e o restante é da população que acreditou naquela falácia de que aqui é um país que não existe preconceito. Existe preconceito sim e precisamos falar sobre isso!

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A internet possibilitou que aquela voz oprimida tivesse a chance de ser ouvida, principalmente com a internet 2.0, que permitiu que figuras como o Negro Belchior , professor e ativista social, pudessem ser conhecidos e ouvidos; ou quando o Emicida, cantor e compositor, toma a palavra no programa Altas Horas

 

e fala sobre o assunto com objetividade e propriedade, surpreendendo os que legitimavam o discurso falso de igualdade; ou quando o vídeo do Porta dos Fundos chamado Amiguinho

ironiza o argumento falso dos “não racistas”. Ironiza pelo vídeo e pela descrição dele “Todos sabemos que o Brasil é uma democracia racial. É só olhar pelas suas câmeras de vigilância, do alto dos seus muros ou pelas grades do condomínio que veremos que todas as pessoas se dão bem e são felizes. Como é que pode haver racismo se a favela é tão perto do asfalto? O negro no Brasil tem tantos direitos quanto outra pessoa qualquer. Contanto que ele se coloque no lugar que os outros destinaram pra ele. Sair disso é só querer tumultuar o que já vem dando certo…”. Estes argumentos trabalhados na vídeo não são difíceis de serem encontrados também nas redes sociais, que também deu voz para racistas ou para discursos de ódio.

Hoje faz 60 anos que Rosa Parks se negou a ceder seu lugar no ônibus para um homem branco, ato simples e modesto, mas que culminou num grande levante pela conquista dos direitos civis dos negros nos EUA. Direitos. Nossos negros não tiveram isso quando receberam a “liberdade” pelas mãos da Princesa Isabel, a liberdade ficou só na Carta, pois desde aquela época o povo negro foi jogado à margem da sociedade, e vem travado uma batalha por reconhecimento e respeito, coisa que qualquer ser humano merece legalmente e socialmente.

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O diferente choca, sempre chocou e causou aversão da maioria, a história da humanidade não me deixará mentir, há inúmeros casos assim; o problema que, quando estamos falando de racismo, não estamos falando de seres diferentes, somos todos humanos. Somos todos humanos. A sua origem continental, pigmentação da pele ou sua opinião não te desumaniza. Assim como o Reverendo King, eu tenho o sonho de viver numa nação onde as pessoas não serão julgadas pela cor de sua pele, mas sim pelo conteúdo de caráter.

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